sexta-feira, 11 de junho de 2010

Rádio Clube de Pernambuco




História da Rádio Clube de Pernambuco

Quando ainda não existiam transmissões radiofônicas na América do Sul, um grupo de amadores, sob a liderança de Augusto Joaquim Pereira, fundou a Rádio Clube de Pernambuco, no dia 6 de abril de 1919. Vinte dias depois, seus estatutos foram aprovados e publicados pela Imprensa Nacional. Um edital de inauguração foi publicado dias antes no DIARIO DE PERNAMBUCO. "São convidados os amadores de telegrafia Sem Fio (TSF - como era conhecido o rádio) a comparecerem à sede da Escola Superior de Eletricidade (Ponte d´Uchoa) no próximo domingo, 6 do corrente, às 13h, para a fundação da Rádio Clube."

As primeiras instalações funcionaram no Parque Treze de Maio. No início dos anos 20, utilizando discos emprestados, a Rádio Clube transmitia óperas, obras clássicas e recitais, que eram ouvidos através de um rádio receptor, construído artesanalmente e acompanhado por fones de ouvido. Sua programação era voltada às classes média e alta. Em 1922, Oscar Moreira Pinto junta-se à Rádio Clube e, um ano depois, ela passa a operar com recursos próprios, mudando para a avenida Cruz Cabugá.

A instalação de um pequeno equipamento de 10 watts, em fevereiro de 1923, permite que a Rádio Clube seja sintonizada no Centro do Recife e em alguns bairros da cidade. Isso marcou, definitivamente, a antecipação de Pernambuco na história da radiodifusão nacional, pois seu pioneirismo foi bastante contestado com a chegada da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em abril de 1923 por Roquette Pinto.

Até a década de 30, fase de consolidação da rádio, todas as emissoras brasileiras funcionaram sem regulamentação oficial da atividade pelo Governo Federal. Foi criada a Comissão Técnica do Rádio para examinar os assuntos relativos à radiodifusão que se expandia no Brasil. O resultado foi um decreto do Governo Federal, em 1932, que definiu o rádio como "serviço de interesse nacional e de finalidade educativa", autorizando a publicidade radiofônica permitida no espaço de até 10% da programação das estações.

A Rádio Clube entrou também para a história com a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste com narração feita por Abílio de Castro, em 1931. A partir daí, a rádio começou a dedicar um espaço ao jornalismo esportivo, com melhor aparelhagem técnica e maior potência. Com uma equipe especializada, a Rádio Clube manteve, nas décadas de 60 e 70, a liderança absoluta em transmissões esportivas no Nordeste.

Em outubro de 1935, a rádio recebeu permissão oficial para executar a radiodifusão no País. O decreto n° 402, assinado pelo então presidente da República Getúlio Vargas, oficializava as operações da Rádio Clube de Pernambuco.

Depois de um ano, a rádio ganha novas instalações, inaugurando sua estação radiodifusora na Estrada do Arraial e aumentando a potência para 50 kws, passando a cobrir todo o Nordeste. Chegam novos locutores, artistas e jornalistas, ampliando sua rede de programação e tornando-a mais popular. Em 1939, a rádio passa a transmitir ao vivo em Freqüência Modulada (FM).

A partir de 1942, o Nordeste acompanha as notícias da Segunda Guerra Mundial pela Rádio Clube, com o surgimento, no ano anterior, do Repórter Esso, marco expressivo do jornalismo radiofônico. Dez anos depois, em 1952, a Rádio Clube é incorporada aos Diários Associados por iniciativa de Assis Chateaubriand.

Como primeira emissora de rádio no Brasil, a Rádio Clube de Pernambuco exerceu enorme influência social e cultural no Nordeste, sobretudo nas três primeiras décadas de sua existência, entre 1920 e 1950. As décadas de 40 e 50, a produção radiofônica ficou consagrada, principalmente com o surgimento do radioteatro, da radionovela e de programas de auditório, que formaram os ídolos, em que cantores e artistas fascinaram o público, projetando valores artísticos regionais e nacionais.


RÁDIO CLUBE DE PERNAMBUCO
MAIS VELHA QUE O RÁDIO

A Rádio Clube de Pernambuco é três anos mais velha que a primeira transmissão oficial de rádio no País.

Quando ainda não existiam transmissões radiofônicas na América do Sul, um grupo de amadores da TSF (Telegrafia sem Fio, como era conhecido o rádio na época), fundou a Rádio Clube de Pernambuco no dia 6 de abril de 1919. No dia seguinte, a edição da tarde do Jornal de Recife noticiou assim o fato: "Consoante convocação anterior, realizou-se ontem na Escola Superior de Eletricidade, a fundação do Rádio Clube, sob os auspícios de uma plêiade de moços que se dedicam ao estudo da eletricidade e da telegrafia sem fio.
Ninguém desconhece a utilidade e proveito dessa agremiação, a primeira do gênero fundada no País".

Vinte dias depois seus estatutos foram aprovados e publicados pela Imprensa Nacional, comprovando a sua existência como a primeira rádio do Brasil. No entanto, naquela época o rádio não era o que é hoje. As primeiras transmissões da Rádio Clube só eram captadas através de um rádio receptor, construído artesanalmente e acompanhado por fones de ouvido.

Poucas pessoas, a maioria da classe média alta de Recife, tinham acesso às transmissões de óperas, obras clássicas e recitais que dominaram a programação dos primeiros anos. Só a partir de fevereiro de 1923, com a instalação de um pequeno equipamento de 10 watts, foi que a rádio passou a ser captada no centro de Recife.

Por isso, o seu pioneirismo foi bastante contestado com a chegada da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em abril de 1923.

"O que poucos sabem é que a Rádio Nacional fez um estágio aqui em 1922, para aprender como era", relembra o assessor de marketing da Rádio Clube, Gilson Paiva, confirmando a vocação de laboratório que a rádio teve nos primeiros anos. A Rádio Clube entrou também para a história com a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste em 1931. Através de um decreto assinado em outubro de 1935 pelo então presidente Getúlio Vargas, a rádio recebeu permissão oficial para executar a radiodifusão no País.

A grande profissionalização da rádio aconteceu em 1952, quando foi incorporada aos Diários Associados de Assis Chateaubriand.
"Até 1939 não tínhamos concorrência, era o único sinal no Nordeste", completa Paiva. A Rádio
Clube sempre foi voltada para a informação e jornalismo. Na década de 40 no entanto, quem dominava a programação era o Rádio Teatro, com a participação de artistas consagrados como Paulo Gracindo e Mário Lago.

Hoje, a programação contém música, desportos, notícias e prestação de serviços. A Rádio Clube faz parte do Grupo Associados de Pernambuco, que contém também a Rádio Caetés FM, o jornal Diário de Pernambuco e a TV Guararapes, retransmissora da programação da TV Bandeirantes.

Oficialmente, a origem do rádio está associada às primeiras transmissões da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923.

Uns creditam a origem à mesma emissora carioca, mas em 07 de setembro de 1922, através das transmissões em caráter experimental do discurso do então presidente da República, Epitácio Pessoa.

Mas, em 1919, uma emissora nordestina já havia inaugurado suas transmissões, num feito devidamente documentado e comprovado, embora dê margem a uma polêmica similar a que vemos entre o fundador da aviação, Alberto Santos Dumont (1906), e os supostos pioneiros defendidos pelos EUA, os irmãos Wright (1908).

A primeira rádio do país, segundo informações que lutam para serem reconhecidas oficialmente, é a Rádio Clube de Pernambuco. Ela pode ter sido também a primeira emissora de rádio da América Latina, aparecida um ano antes da entrada da década de 20. Foi fundada em 06 de abril de 1919 por um grupo de amadores curiosos com a nova modalidade de comunicação da época, que era o rádio, lideradas por Augusto Joaquim Pereira.

Vinte dias após o surgimento, os estatutos da Rádio Clube de Pernambuco foram aprovados e em seguida publicados pela Imprensa Nacional. Um edital de inauguração da emissora foi publicado na data do evento no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Diz o documento: "São convidados os amadores de Telegrafia Sem Fio (TSF - como era conhecido o rádio) a comparecerem à sede da Escola Superior de Eletricidade (Ponte d´Uchoa) no próximo domingo, 6 do corrente, às 13h, para a fundação da Rádio Clube."

As primeiras instalações da emissora se situaram no Parque Treze de Maio. No início da década de 20, a Rádio Clube recebia discos emprestados de seus sócios, passando a transmitir óperas, obras clássicas e recitais, que eram ouvidos por meio de um rádio receptor, construído de forma artesanal e que era acompanhado por fones de ouvido. Sua programação era destinada às classes média e alta. No ano de 1922, Oscar Moreira Pinto ingressa à Rádio Clube e, um ano depois, a emissora começa a funcionar com seus próprios recursos, e sua sede mudou-se para a avenida Cruz Cabugá.

Em fevereiro de 1923, é instalado um pequeno equipamento de 10 watts, possibilitando a irradiação das ondas da Rádio Clube no Centro do Recife e em alguns bairros da cidade. A façanha se tornou um marco, que coloca Pernambuco no pioneirismo da radiodifusão do Brasil. Para se ter uma idéia, a origem do rádio é atribuída oficialmente à Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que foi fundada em abril de 1923 por Roquette Pinto.

Até os anos 30, fase em que a Rádio Clube de Pernambuco se consolidava, todas as emissoras brasileiras funcionaram sem regulamentação oficial da atividade de radiodifusão pelo Governo Federal. No início daquela década, foi instituída a Comissão Técnica do Rádio, cujo objetivo foi examinar os assuntos relacionados com radiodifusão que crescia em todo o Brasil. Em conseqüência disso, foi promulgado um decreto do Governo Federal, no ano de 1932, que definiu o rádio como um "serviço de interesse nacional e de finalidade educativa", autorizando a publicidade radiofônica permitida no limite de até 10% da programação transmitida pelas emissoras.

A Rádio Clube foi pioneira também na história do radialismo esportivo. Foi ela que realizou a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste. A narração foi feita pelo locutor Abílio de Castro, em 1931. Desde então, a emissora passou a dedicar um espaço ao jornalismo esportivo, com melhor aparelhagem técnica e maior potência de transmissão. Com uma equipe especializada, a Rádio Clube manteve, nas décadas de 60 e 70, a liderança absoluta nas transmissões esportivas da região Nordeste.

Em outubro de 1935, o Governo Federal oficializa a Rádio Clube de Pernambuco como uma empresa de radiodifusão, conforme decreto número 402 assinado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas. Em 1936, a Rádio Clube inaugura suas novas instalações, tendo sua estação radiodifusora localizada na Estrada do Arraial. Sua potência foi aumentada para 50 kilowatts, passando a ser irradiada por toda a região Nordeste.

Seu quadro de locutores, a partir de então, se renova e amplia, com a contratação de jornalistas, artistas, locutores e produtores, e sua programação passa a ser de caráter popular, com radionovelas e programas de auditório. No ano de 1939, surge a Rádio Clube FM, dezesseis anos antes da Rádio Imprensa, considerada oficialmente como a primeira FM surgida no país.

Em 1942, a Rádio Clube começa a transmitir o Repórter Esso, noticiário surgido em 1941. Com isso, os ouvintes do Nordeste puderam se informar sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

A Rádio Clube até hoje é transmitida, tendo grande audiência na Grande Recife, sendo uma das líderes do rádio AM pernambucano. Durante três décadas, a Rádio Clube contou também com ondas curtas de 49 e 25 metros, a Rádio Clube, anos depois de sua origem, podia ser sintonizada em todo o país e mesmo no outro lado do Oceano Atlântico.

Infelizmente,nos dias de hoje Recife não possui mais uma emissora sequer em OC (ondas curtas), devido às restrições da descontinuidade na recepção e das interferências das tempestades magnéticas. Provavelmente com a evolução da tecnologia digital, seja possível que as transmissões em OC sejam menos suscetíveis das interferências do tempo e da estação do ano.

Desde 1952, a Rádio Clube de Pernambuco pertence aos Diários Associados, empresa fundada por Assis Chateaubriand, conhecido como "Chatô", notável jornalista e empresário da comunicação no Brasil, sendo responsável pela instalação da televisão no país, numa época em que se achava desnecessário instalar uma TV no país (1950). Nos últimos anos os Diários, depois de perderem várias de suas empresas, se transformaram num órgão mantido pela Fundação Assis Chateaubriand. A instituição teve origem na gestão dos funcionários dos Diários, que se tornaram sócios e gestores da companhia quando "Chatô" estava doente, nos anos 60.

Atualmente a Rádio Clube de Pernambuco funciona na Rua do Veiga, número 600, no bairro de Santo Amaro, em Recife.

Os amadores do rádio tornam-se profissionais

Na década de 10, nascia o radioamadorismo, que tomou grande impulso em função da dimensão continental do País. A radiodifusão também surge na mesma década, fruto do pioneirismo de Augusto Joaquim Pereira e Oscar Moreira Pinto. Augusto Pereira funda, com um grupo de amadores, o Rádio Clube de Pernambuco no dia 6 de abril de 1919. A primeira emissora do País e uma das primeiras instituições radiofônicas de todo o mundo.

No dia 2 de novembro de 1920, a Westinghouse Electric Co. faz uma experiência com a transmissão de rádio no País. A experiência seria renovada em 1922, no Rio de Janeiro. Oscar Moreira Pinto, radiotelegrafista da Marinha, junta-se à Rádio Clube de Pernambuco em 1922, sendo encarregado de adquirir um transmissor de 10 W da Westinghouse. Esse transmissor permitiu que o sinal da emissora pudesse ser sintonizado no centro e alguns subúrbios do Recife. O Recife contava, na época, com 250 mil habitantes e era o principal centro econômico, político e cultural do Norte e Nordeste. Pernambuco tinha 2 milhões de habitantes, um dos portos mais movimentados do País e era governado por Manoel Borba.


No Rio de Janeiro, em 1923, foi então fundada a Rádio Roquette Pinto, já num estilo mais profissional. Funcionando na Academia Brasileira de Letras, ela se converteria mais tarde na Rádio Ministério da Educação. Roquette Pinto foi um pioneiro do cinema e da televisão, concebendo-os como instrumento de educação popular. Junto com Henrique Morize, professor da Escola Politécnica, ele deu os primeiros passos na utilização do rádio como veículo educativo. Nas próprias palavras de Roquette Pinto:

"Todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência e da arte; a paz será realidade definitiva entre as nações. Tudo isso há de ser o milagre das ondas misteriosas que transportam no espaço, silenciosamente, as harmonias."

Entre abril de 1919 e fevereiro de 1923, em Recife, um grupo de radiófilos liderado por Augusto Joaquim Pereira e financiado pelo industrial José Cardoso Aires aprimora gradativamente as transmissões do Rádio Clube de Pernambuco, garantindo que estas alcancem o centro da cidade e algumas regiões próximas. No mesmo ano, em 20 de abril, entusiastas ligados à Academia Brasileira de Ciências e reunidos em torno de Edgard Roquette-Pinto fundam a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que, em 1º de maio, inicia suas irradiações. Nestas duas iniciativas pioneiras, o associativismo é marcado por dose expressiva de idealismo elitista misturado com curiosidade e deslumbramento técnico, noções que se dirigem a uma espécie de utopia de civilização. Para os integrantes destas agremiações, de um lado, cultura significa erudição sob a matriz referencial externa da época: a Europa ou, mais especificamente, a França; de outro, tecnologia é progresso relacionado, portanto, com modernização. Tal constatação vai ao encontro do que Renato Ortiz, em raciocínio semelhante, identifica em relação à urbanização do Rio de Janeiro e à introdução do cinema, quase no mesmo período, no início do século 20:"(...) a idéia de moderno se associa a valores como progresso e civilização; ela é, sobretudo, uma representação que articula o subdesenvolvimento da situação brasileira a uma vontade de reconhecimento que as classes dominantes ressentem. Daí o fato de essa atitude estar intimamente relacionada a uma preocupação de fundo, `o que diriam os estrangeiros de nós', o que reflete não somente uma dependência aos valores europeus, mas revela o esforço de se esculpir um retrato do Brasil condizente com o imaginário civilizado" (Ortiz, 1994: 32). Cabe lembrar que, desde o início do século 20, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre vivem um afã modificador do cenário urbano que auxilia na estruturação de um imaginário social da modernidade. Primeiro, aumentam os impostos sobre as moradias da região central, afastando a população mais carente para a periferia, e, na seqüência, são construídos grandes prédios públicos ou espaçosas avenidas. Vale recordar, ainda, como a coroar este processo, o slogan de Washington Luiz Pereira de Sousa: "Governar é abrir estradas". Coincidentemente, é ele o presidente derrubado pela Revolução de 1930, que eclode como a expor as divergências intraoligárquicas e, em plano menor, as incoerências do progresso de fachada dos anos anteriores.

Neste contexto, tem importância significativa a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, inaugurada em 7 de setembro de 1922 em comemoração ao centenário da independência brasileira.

Embora no discurso oficial do governo de Epitácio Pessoa houvesse a intenção manifesta de apresentar uma pretensa pujança econômica nacional atraindo libras esterlinas e dólares, eventos deste tipo e porte serviam, desde o século anterior, na realidade, para demonstrar a tecnologia de ponta, contrastando o mundo industria l moderno ­ das grandes potências ­ com um outro, mais agropecuário e mercantil ­ no caso específico, o do Brasil. Assim, o capital dava mostras daquela sua característica inata identificada por Karl Marx em Para a crítica da economia política , de 1859:

"Quanto mais desenvolvido o capital, quanto mais extenso é portanto o mercado em que circula, mercado que constitui a trajetória espacial de sua circulação, tanto mais tende simultaneamente a estender o mercado e a uma maior anulação do espaço através do tempo" (

Pois, na referida exposição, aquela "necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos", que persegue o capitalismo por todo o globo, fazendo com que "tenha de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte" (Marx e Engels, 1987: 37), está presente nos estandes de duas indústrias dos Estados Unidos: a Westinghouse International Company e a Western Electric Company, ambas com capacidade ociosa de produção desde o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e procurando, por meio das demonstrações radiotelefônicas então realizadas, a obtenção de um novo mercado, o brasileiro.

Estas transmissões, como se sabe, chamam a atenção de Roquette-Pinto e influenciam o surgimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Também junto a uma delas, a Westinghouse, os entusiastas do Rádio Clube de Pernambuco adquirem um transmissor de 10 W responsável pela melhoria do sinal da estação a partir de fevereiro do ano seguinte.

É, deste modo, dentro de um quadro de subordinação cultural e tecnológica que vai surgindo o rádio no Brasil, um país que, em contraste, na virada do século 19 para o 20, abrigava experiências pioneiras de radiotelefonia e radiotelegrafia levadas a cabo por Roberto Landell de Moura, mas praticamente ignoradas pelas autoridades de então, embora, por vezes, presenciadas por representantes de governos estrangeiros como o da Grã-Bretanha, principal potência daquela época.

No início dos anos 20, os amadores da radiotelefonia, sem-filistas ou radiófilos ­ como a imprensa os chamava ­ gastam suas noites em frente aos grandes, pesados e caros aparelhos receptores da época. Um dos bons com três ou quatro válvulas, custando 400 mil-réis, o dobro do que ganha, então, em média, um assalariado, consegue sintonizar emissões de particulares e comunicações navais, não importando se telefônicas ou telegráficas. O objetivo maior, no entanto, é ouvir irradiações de estações como KDKA, de Pittsburgh, ligada à Westinghouse, e WEAF, de Nova Iorque, da American Telegraph and Telephone, mais facilmente captadas nas regiões Norte e Nordeste, ou LOR ­ Asociación Argentina de Broadcasting, LOW ­ Grand Splendid Theatre, LOS ­Broadcasting Municipalidad e LOO ­ Radio Prietto, de Buenos Aires, e El Día, de Montevidéu, no Sul e Sudeste.

Na década seguinte, irradiações como estas servem ainda de referencial. Ouvindo a NBC, dos Estados Unidos, e a britânica BBC, em ondas curtas, Adhemar Casé observa uma diferença significativa em relação ao rádio brasileiro da época:

"O amadorismo das rádios daqui não permitia uma dinâmica maior. Quando um músico e um cantor iam se apresentar, o speaker anunciava o número e, depois, desligava o microfone, para que pudessem afinar os instrumentos e até fazer um rápido ensaio. Enquanto isso, o ouvinte ficava totalmente abandonado. Já nos programas americanos, o som não parava. Era uma dinâmica maravilhosa"

Considera-se que o Rádio brasileiro nasceu, no entanto, em 20 de abril de 1923 graças ao pioneirismo e visão de Edgard Roquette Pinto, renomado escritor e antropólogo, e Henrique Moritze, Diretor do Observatório do Rio de Janeiro, conquanto os pernambucanos reivindiquem essa primazia, pois no Recife, desde 6 de abril de 1919, funcionava a Rádio Clube de Pernambuco, que atuava no ramo da radiotelegrafia.

A Roquette Pinto e Moritze, que fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (PRA-A), juntaram-se Elba Dias, que criou a Rádio Clube Brasil (PRA-B), e os pernambucanos Moreira Pinto, Augusto Joaquim Pereira, João Cardoso Alves, entre outros.
FONTE : http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/

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