domingo, 7 de fevereiro de 2010

RÁDIO E TV ONLINE ABREM CAMINHOS PARA JORNALISMO



Rádio e TV online abrem caminhos para o jornalismo
Qualquer pessoa pode criar programas de rádio e televisão e transmitir pela internet. Bom também para as empresas jornalísticas, que podem utilizar estas vantagens para gerar conteúdos de qualidade e relevância.
Por Gelson Souza
Para que as emissoras de rádio e televisão possam transmitir, é preciso uma concessão do governo (através de concorrência pública) que estabelece o alcance e a freqüência, seja em âmbito municipal, estadual ou nacional. Além da concessão, é preciso equipamento adequado para garantir a boa qualidade das transmissões, como torres e satélites. Com isso, fica evidente que é preciso poder político e econômico ? proporcional ao alcance das transmissões ? para criar uma emissora, seja de rádio ou TV.
Na internet, pelo contrário, qualquer pessoa pode montar sua emissora. Não é preciso obter uma concessão e o alcance é mundial. Os custos do equipamento são modestos (se comparados aos estúdios profissionais) e, em geral, quase todo computador pessoal é capaz de gravar sons de um microfone, assim como as máquinas digitais mais populares são capazes de gravar vídeos.
É claro que, para o jornalismo, a maior parte do que é produzido pelos usuários não interessa, pois, além de serem produções amadoras, não possuem relevância social.
Contudo, esta explosão de possibilidades ilustra como a informação deixou de ser centralizada por causa da rede. Qualquer pessoa pode agora produzir conteúdos de áudio, vídeo e texto e divulgá-los particularmente sem a intermediação de um editor.
As empresas jornalísticas podem então utilizar todas estas vantagens (ausência de concessão, disponibilidade permanente e baixo custo de distribuição) para gerar conteúdos de qualidade e relevância, muito superior ao amador, já que contam com estúdios e equipamentos profissionais ? além de jornalistas, principalmente.
Desta forma, a internet permite que o equipamento seja uma questão secundária para os serviços de telecomunicações online. Não importa quem tem uma concessão mais abrangente, pois esta não existe na rede, assim como a notável diferença das freqüências AM e FM. O que realmente importa é a qualidade do conteúdo, como ressalta os respeitados profissionais do rádio Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima:
“A concorrência vai se desenvolver entre as rádios individuais, do bairro, da cidade, do país, do continente ou do mundo. A nova tecnologia [a internet] iguala todas as emissoras, não importa onde estejam, uma vez que tecnicamente estão todas igualmente preparadas? (BARBEIRO & LIMA, 2003, p. 35).
Complementando, afirmam que:
?[...] com a facilidade de acesso do ouvinte-internauta a uma rádio de programação nacional, não mais haverá necessidade das formações de rede como se conhece hoje. [...] A web proporciona a uma única rádio cobertura mundial, sem necessidade de outras emissoras. Com isso, as rádios nacionais poderão vender publicidade com a absoluta certeza de que esta será veiculada em todo o país? (BARBEIRO & LIMA, 2003, p. 37).
De fato, as rádios online proliferaram pela rede. Algumas são distribuídas em arquivos, permitindo que o usuário ouça-as no momento que quiser e até guarde no computador seus programas preferidos. Outras, são verdadeiras rádios virtuais, transmitindo em tempo real.
Não concorrem com rádios tradicionais
E, seriam estas rádios online concorrentes para as rádios tradicionais? Pelo contrário. Além do público-alvo que já é bastante distinto (principalmente pela renda), muitas empresas radiofônicas estão utilizando as duas mídias para um trabalho conjunto, permitindo, por exemplo, a um ouvinte que tenha perdido o horário de determinado programa, consultar o banco de dados da versão online para ouvi-lo na hora que desejar. Além disso, é possível ouvir a rádio eletrônica (tradicional) em tempo real, através da internet, durante o acesso à sites e a realização de outras atividades, sendo um grande exemplo de integração e complementaridade das duas mídias.
Já os canais de TV aberta, por enquanto, ainda não são transmitidos em tempo real pela rede, mas isto pode mudar com a implantação da TV digital, fato que, inclusive, gera controvérsias. A TV online, contudo, é muito interessante por permitir a flexibilidade do horário de audiência e, além de ser distribuída em arquivos (download) é também acessível em tempo real (streaming).
Arquivos devem ser leves
A internet reúne então os principais recursos de outras mídias: texto e imagem (impresso), áudio (rádio), áudio e vídeo (televisão). Por isso, é considerada multimídia. Mas, apesar dos grandes avanços tecnológicos, estes recursos precisam ser adaptados às regras da rede. Por exemplo, os vídeos devem utilizar resoluções (qualidade de imagem) inferiores às da TV, caso contrário somente os usuários de banda larga terão velocidade de conexão satisfatória para acessá-los.
O mesmo ocorre com o áudio, ainda que formatos como o MP3 diminuam o tamanho dos arquivos. Portanto, independente do conteúdo que será produzido, deve-se pensar nas especificidades da internet.
O formato streaming é o mais eficaz para a transmissão de rádio e TV online, pois permite o acesso imediato aos arquivos, que são baixados simultaneamente à execução. Para administrá-lo, o programa Real Media é o mais popular, pois, além de pioneiro, é também o mais adequado para conexões discadas. Já o Windows Media é a alternativa da Microsoft, que está crescendo em importância a cada dia, além de contar com recursos avançados. O Quick Time é também utilizado, mas, talvez por ter sido desenvolvido inicialmente para os computadores Macintosh, não é tão popular nos computadores pessoais. Contudo, todos permitem que o plug-in necessário para executá-los seja obtido e instalado gratuitamente.
A produção dos programas
Em geral, a maior parte dos conceitos de rádiojornalismo e telejornalismo continua válida para a internet, pois a produção de cada um possui elementos bastante distintos.
Recomenda-se, portanto, a leitura de manuais específicos para cada área, como o ?Manual de Rádiojornalismo? dos já citados Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, assim como o ?Manual de Telejornalismo?, também destes autores.
De certa forma, a produção é a mesma, o que muda é a distribuição. O mais importante é trabalhar com arquivos de tamanho reduzido, seja em streaming ou download. Outra dica importante é evitar que a cor da roupa do apresentador de TV online seja idêntica ao plano de fundo, pois em formatos de vídeo em que a qualidade é reduzida, corre-se o risco da imagem ficar uniforme ? como se fosse uma coisa só. Portanto, fortes contrastes de cor são importantes nos vídeos.
As grandes referências em emissão online são os portais UOL, Terra e IG. As emissoras tradicionais também se destacam, como o portal Globo.com, que disponibiliza conteúdo de rádio (Rádio Globo, CBN), TV (Rede Globo, Globo News) e também impresso (O Globo, Extra, Diário de S. Paulo) ? além de outros. A CBN, por exemplo, rádio com programação exclusiva de notícias, mantém em seu site um organizado acervo de todos os programas que vão ao ar em rede nacional, acessível por determinado período após terem sido transmitidos (um acervo ?permanente? de texto é perfeitamente viável, mas áudio e vídeo ocupam muito espaço).
Na edição do dia 13 de setembro de 2006, a revista Veja publicou matéria de capa sobre o You Tube, site norte-americano que disponibiliza um imenso acervo de vídeo, enviado por pessoas do mundo todo. A reportagem destacou artistas e celebridades que passaram a produzir vídeo exclusivamente para o site em busca de autopromoção. Além disso, observou que a proliferação de sites do gênero marca ?o fim da TV como se conhecia até hoje? (MARTHE, 2006, p. 89). Isto reflete como a internet pode incorporar características e ?roubar? o público de outras mídias. Na edição seguinte da revista, leitores indicaram sites brasileiros semelhantes ao You Tube, já bastante acessados, como o Videolog e o Videopop . Eis uma das grandes características da internet: sempre há uma alternativa.
A allTV dá uma grande lição de interatividade com o público. Além de transmitir ao vivo sua programação 100% online, permite que o os usuários revejam o que já foi transmitido em um banco de dados que guarda a programação anterior de até três dias (por enquanto, em construção). Porém, o principal atrativo é a possibilidade de interagir com os apresentadores através de um chat ou mensagens instantâneas. O diretor Alberto Luchetti, profissional com larga experiência, seja em impresso, rádio e televisão, afirma em entrevista ao Webinsider que a allTV, em menos de três meses, alcançou a audiência de 3.000 usuários únicos que, no total, geraram mais de 12 milhões de pageviews (KULPAS, 2002).
Por fim, as rádios e TVs online estão progressivamente se posicionando no mercado, conquistando espaço entre o público e contratando jornalistas como Lilian Wite Fibe, Juca Kfouri, José Simão (UOL), José Roberto de Toledo, Carlos Sardenberg (TERRA) e Paulo Henrique Amorin (IG), além de muitos outros em diversos sites. Não há duvidas, portanto, de que a transmissão de conteúdo multimídia deva crescer com a popularização (ainda muito distante) das conexões banda larga e principalmente com a digitalização da TV e do Rádio no Brasil, o que facilitará a convergência das tecnologias. O mais importante é considerar a internet como um meio de comunicação, sério e respeitável, capaz não apenas de entreter, mas também de gerar lucro e informar.
Fonte :http://webinsider.uol.com.br/2006/10/02/radio-e-tv-online-abrem-perspectivas-para-o-jornalismo/

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