sexta-feira, 11 de junho de 2010

1887 - Henrich Rudolph Hertz descobre as ondas de rádio.






Heinrich Hertz
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Heinrich Rudolf Hertz


Nascimento 22 de Fevereiro de 1857
Hamburgo
Morte 1 de Janeiro de 1894 (36 anos)
Bonn
Residência Alemanha
Nacionalidade Alemanha Alemã
Campo(s) Física
Instituições Universidade de Kiel, Universidade de Karlsruhe, Universidade de Bonn
Alma mater Universidade de Munique, Universidade Humboldt de Berlim
Tese 1880: Über die Induction in rotirenden Kugeln
Orientador(es) Hermann von Helmholtz
Orientado(s) Vilhelm Bjerknes, Josef von Geitler
Conhecido(a) por Radiação eletromagnética, efeito fotoelétrico
Prêmio(s) Medalha Matteucci (1888), Medalha Rumford (1890)
Assinatura Assinatura de Heinrich Hertz

Heinrich Rudolf Hertz (Hamburgo, 22 de Fevereiro de 1857 — Bonn, 1 de Janeiro de 1894) foi um físico alemão que demonstrou a existência da radiação electromagnética criando aparelhos emissores e detectores de ondas de rádio.

Hertz pôs em evidência em 1888 a existência das ondas eletromagnéticas imaginadas por James Maxwell em 1873 (ver equações de Maxwell).
Índice


* 1 Biografia
* 2 Cronologia



Biografia

Hertz nasceu em Hamburgo a 22 de Fevereiro de 1857. Interessou-se desde muito cedo pela construção de mecanismos, tema que sempre o atraiu, mesmo enquanto trabalhou na área da física.

Levado por essa sua apetência, frequentou uma faculdade de engenharia durante dois anos. No entanto, a sua vontade de levar a cabo investigação científica fê-lo optar pela física, tendo ingressado na Universidade Humboldt de Berlim em 1878.

Obteve, em 1880, num trabalho proposto por Hermann von Helmholtz, seu professor, intitulado Sobre a Energia Cinética da Electricidade, um resultado excepcional, dada a pesquisa original que efectuara. Torna-se, nesse mesmo ano, assistente de von Helmholtz, ocupação durante a qual estuda a elasticidade dos gases e a propagação de descargas eléctricas através deles.

Três anos mais tarde, torna-se professor na Universidade de Kiel, onde inicia investigações sobre a electrodinâmica de Maxwell, a qual se opunha à electrodinâmica mecanicista e a anteriores teorias sobre a natureza da acção a distância.

Muda-se novamente em 1885, desta vez para Karlsruhe, onde leccionou na Escola Politécnica. Casa-se, um ano mais tarde, com Elisabeth Doll, filha de um seu colega professor.

A partir de 1883, ano da sua mudança para Kiel, descobre a produção e propagação das ondas electromagnéticas bem como formas de controlar a frequência das ondas produzidas. Todas essas experiências permitiram-lhe demonstrar a existência de radiação electromagnética, tal como previsto teoricamente por Maxwell.

A respeito das propriedades das ondas electromagnéticas, que Heinrich Rudolf Hertz passa a estudar, descobriu que a sua velocidade de propagação é igual à velocidade da luz no vácuo, que têm comportamento semelhante ao da luz, e que oscilam num plano que contém a direcção de propagação. Demonstrou também a refracção, reflexão e a polarização das ondas.

Em 1888, apresentou os resultados das suas experiências à comunidade científica, os quais obtiveram o sucesso merecido.

Cinco anos mais tarde, no início de 1893, Hertz adoece e é operado de um tumor na orelha. No entanto, no final desse ano, adoece de novo e, no dia 1 de Janeiro de 1894, antes de completar 37 anos, morre de bacteremia.
Cronologia
Busto no campus da Universidade de Karlsruhe. Tradução: Neste local descobriu Heinrich Hertz as ondas eletromagnéticas nos anos 1885 — 1889

* 22 de Fevereiro de 1857 Hamburgo (Alemanha) nascimento. São seus pais Gustav Ferdinand Hertz, advogado, e Anna Elisabeth Pfefferkorn-Hertz
* 1863 — 1872 Aluno aplicado na escola do dr. Richard Lange
* 1872 Aluno no Johanneum Gymnasium em Hamburgo
* 1875 Após um ano de preparação especial é admitido para ingresso em uma universidade (Abitur). Antes de ingressar na vida universitária decide adquirir experiência em engenharia, indo residir em Frankfurt, a fim de trabalhar no departamento de obras públicas da cidade
* 1876 Estuda no Instituto Politécnico de Dresden
* 1877 Serviço militar em Berlim
* 1878 Ingressa na Universidade de Munique
* 1879 Estudante em Berlim, aluno de Gustav Kirchhoff e Hermann von Helmholtz no Instituto de Física
* 1880 Doutor em Física e em seguida assistente do Instituto de Física
* 1883 Mestre de conferência na Universidade de Kiel. Efetuou pesquisas sobre o eletromagnetismo
* 1885 Professor na Technische Hochschule de Karlsruhe
* 1886 Casamento com Elisabeth Doll
* 1887 Estudo das diversas teorias de Maxwell, Weber, Helmholtz. Construção de um oscilador.
* 1888 Trabalho e descoberta das ondas eletromagnéticas no ar (15 de março)
* 1889 Professor e pesquisador em Bonn
* 1890 Viagem à Inglaterra
* 1 de Janeiro de 1894 Falecimento em Bonn.

Associação Brasileira De Emissoras De Rádio e Televisão-Abert



Associação Brasileira De Emissoras De Rádio e Televisão-Abert



A Abert surge na luta contra os vetos do presidente João Goulart ao Código Brasileiro de Telecomunicações, em 1962. Nesse momento, o empresariado de radiodifusão começa a despertar e parte para um trabalho de esclarecimento da sociedade, por meio de seus congressistas. João Medeiros Calmon, presidente da Associação de Emissoras do Estado de São Paulo (AESP), que mais tarde se tornaria o primeiro presidente da Abert, liderou um grupo de trabalho que reuniu subsídios para a discussão sobre os vetos. O grupo conseguiu reunir em um encontro histórico no Hotel Nacional, em Brasília, representantes de 213 empresas.A movimentação era intensa e a conquista de votos em número suficiente para a derrubada dos vetos ao Código foi árdua. Os participantes daquele momento histórico foram responsáveis não só pela derrubada dos vetos, como também pela formação da Associação Brasileira de Empresas de Radiodifusão e Televisão - Abert.




A movimentação
A ausência de uma representação organizada nacionalmente fazia com que os empresários da radiodifusão tivessem apenas uma atuação regional, por intermédio dos sindicatos. Radiodifusão era sinônimo de Diários e Emissoras Associados, de propriedade do empresário Assis Chateaubriand, que acabou se transformando em interlocutor informal do setor com o Governo e com a sociedade. A falta de unicidade, no entanto, permitiu que outros interlocutores surgissem nesse processo. É o caso da Associação de Emissoras do Estado de São Paulo (AESP) e do Sindicato das Empresas Proprietárias.


Além da AESP, existiam ainda quatro associações estaduais – Associação Bahiana de Radiodifusão (ABART), Associação Paraense de Emissoras de Rádio e Televisão (APERT), Associação das Empresas de Radiodifusão de Pernambuco (ASSERP) e do Ceará (APERTEC /CE). A política em defesa da classe era tímida, por um lado pela falta de sintonia entre as empresas paulistas e cariocas, por outro pela inexistência de uma conscientização do empresariado sobre a necessidade da formação de uma classe homogênea e unida. O empresariado da radiodifusão só começou a se mobilizar depois do início dos debates da classe em torno do projeto que previa a criação do Código Brasileiro de Telecomunicações.

A fundação
A Associação foi fundada no dia 27 de novembro de 1962, dia da apreciação dos vetos. A vitória foi total: a classe passava a existir como sociedade civil e todos os 52 vetos foram derrubados. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – Abert nasce como uma sociedade civil sem fins econômicos, de duração indeterminada, constituída por empresas de radiodifusão autorizadas a funcionar no País e por outras pessoas físicas e jurídicas com vínculos e participação no setor. Como principal objetivo, a defesa da liberdade de expressão, em todas as suas formas, bem como dos interesses das emissoras de radiodifusão, suas prerrogativas como executoras de serviços de interesse público, assim como seus direitos e garantias.


A primeira diretoria
A primeira sede foi instalada em uma pequena sala no Centro do Rio de Janeiro. Brasília estava dando os primeiros passos. A primeira tarefa era consolidar a euforia da fundação. O objetivo do grupo era manter a unidade e a combatividade da classe, além de dar um sentido profissional às atividades da Associação.João Calmon foi eleito o primeiro presidente da Abert, como homenagem e reconhecimento ao seu trabalho na AESP e na luta pela derrubada dos vetos. A primeira diretoria obedeceu a um critério geográfico, fórmula de consenso que evitava o predomínio dos Diários Associados sobre a Abert. Os estatutos da entidade foram aprovados com base em um anteprojeto elaborado por uma comissão formada por Nagib Chede, Clóvis Ramalhete, José Carlos Rao, Ernesto Gurgel Valente, José de Almeida Castro, Assuero Costa, José Pires Sabóia Filho, Flávio Parente e Vicente Rao.


III Congresso Brasileiro de Radiodifusão
O trabalho da primeira diretoria resultou no III Congresso Brasileiro de Radiodifusão, em outubro de 1964, no Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Presidido por João Calmon, o Congresso elaborou e aprovou o primeiro Código de Ética da Radiodifusão, baseado em um anteprojeto de Clóvis Ramalhete, aprovou o esboço de anteprojeto da regulamentação da profissão de radialista e iniciou a luta pela regulamentação de uma cobrança justa de direitos autorais.
O Código de Ética foi seguido até setembro de 1980, quando o XII Congresso Brasileiro de Radiodifusão aprovou um novo estatuto. O novo Código sofreu diversas alterações em 1983, 1984 e 1991, até ter sua redação atual aprovada, em Assembléia-Geral Extraordinária realizada na data de 8 de julho de 1993 em Brasília.O III Congresso mostrou que a Abert viera para ficar. Com dois anos de existência, a entidade já representava o empresariado nacional e havia substituído a AESP junto aos organismos internacionais. Os anos 60 não foram fáceis e exigiram da Associação um trabalho de muito fôlego. Começava o ciclo dos governos militares. As negociações eram lentas e duras. João Calmon dirigiu a entidade até 1970.

Mudança de sede
Em 1978, a Abert inicia um novo capítulo na sua história ao mudar a sede para Brasília. A mudança promoveu o fortalecimento da Associação como entidade de representação do setor de radiodifusão brasileiro junto aos organismos governamentais.No campo internacional, o período foi marcado pela mudança da Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR) que foi transformada em Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), formada por associações nacionais. Enquanto isso, a Abert promovia o fortalecimento das associações estaduais, iniciativa que foi positiva tanto para o âmbito nacional quanto para o regional, mostrando o valor da unidade.


Presidentes profissionais da radiodifusão
Após alguns períodos de crise e dissidências, recomeçam os mandatos de presidentes profissionais da radiodifusão: o primeiro foi Paulo Machado de Carvalho Filho (1980-82), sucedido por Joaquim Mendonça, que ocupou o cargo por nove mandatos. Em 1985, o País volta ao regime democrático com a eleição de Tancredo Neves e José Sarney. Tancredo adoece na véspera da posse e José Sarney assume o cargo. Em 21 de abril de 1985, com a morte de Tancredo Neves e José Sarney assume definitivamente. Em 18 de junho de 1985, envia ao Congresso Nacional a mensagem Presidencial de n° 330, que resultaria na Emenda Constitucional n° 26, de 27 de novembro de 1985, convocando a Assembléia Nacional Constituinte.


Assembléia Nacional Constituinte
Em 2 de fevereiro de 1987, o deputado Ulysses Guimarães toma posse como presidente da Assembléia Nacional Constituinte. Todos os segmentos da sociedade se movimentam para garantir os seus direitos na nova Carta.
A Abert participa ativamente da elaboração do Capítulo V, que trata da Comunicação Social na nova Constituição. Ficam garantidas a liberdade de expressão e informação. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens será privativa de brasileiros natos ou naturalizados. É proibida toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. Em 2000, no final da administração de Joaquim Mendonça, o governo regulamenta ressarcimento fiscal pela veiculação da propaganda eleitoral.


Novo século
Em 31 de agosto de 2000 foi eleito presidente da Abert Paulo Machado de Carvalho Neto, radialista desde os 14 anos e membro ativo da diretoria da associação desde 1998. As lutas agora são outras. Os principais temas são as rádios comunitárias, as “Ilegais” e as televisões comunitárias, as restrições à propaganda de produtos fumígeros, a Classificação Indicativa (prevista na Constituição de 1988), a flexibilização do horário de veiculação da Voz do Brasil, a regionalização do conteúdo para a produção de programação das televisões e a negociação entre o ECAD e a Abert para descontos no recolhimento dos direitos autorais. Começam as discussões sobre a implantação da rádio digital.
Em fevereiro de 2002, a direção da Abert é surpreendida com a publicação de um comunicado, em alguns jornais de circulação nacional, no qual as cabeças de rede de televisão (SBT, Record e Bandeirantes) afirmam que a entidade não as representa e se desligam dos quadros de associados. As redes anunciam a criação de uma nova entidade de classe de âmbito nacional.


Ainda em 2002, é implantado o Conselho de Comunicação Social, previsto na Constituição de 1988, que tem como representantes da empresas de rádio, Paulo Machado de Carvalho Neto e Emanuel Soares Carneiro. Os representantes das empresas de televisão são Roberto Wagner Monteiro e Flávio de Castro Martinez. Também começa a ser discutido o padrão de TV Digital que será adotado pelo Brasil. Paulo Machado de Carvalho Neto presidiu a Abert até 2004.


Desafios realizados
Em agosto de 2004, assume a presidência da Abert José Inácio Gennari Pizani, radialista, fundador do Sistema Clube de Comunicação Ltda. Foi vice-presidente (1982-2001) e presidente (2001-2004) da AESP - Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo. Em 1º de novembro de 2004, depois de muitos anos de luta, a Abert assina convenio com o Ecad - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. O convênio estabelece regras, critérios e parâmetros para a radiodifusão de obras do repertório do Escritório Central, além de propiciar a cada associada da Abert um desconto de 25% no valor que seria normalmente cobrado a título de retribuição autoral, o que é de suma importância para a grande maioria das associadas.


A Abert continua participando ativamente dos grupos de trabalho para a implantação da rádio e da TV Digital.
Em 2006, o Ministério das Comunicações expede uma portaria que estabelece normas e critérios para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. E determina que, no prazo de dois anos, os recursos previstos e obrigatórios serão: Legenda Oculta (closed caption), Janela para Linguagem de Sinais (Libras), Descrição das Cenas e Dublagem. A Abert alerta seus filiados de que vários levantamentos efetuados, relativos aos custos de implantação de recursos em geradoras e retransmissoras, indicam que as emissoras terão enorme dificuldade para cumprir o que determina a portaria. Para emissoras médias e pequenas a demanda beiraria o impossível.A entidade consulta o Ministério das Comunicações sobre a possibilidade da implantação dessas ferramentas somente após a implantação da TV Digital e consegue mais um prazo.Ainda em 2006, a gestão de José Inácio Gennari Pizani aprova o novo Estatuto da entidade.


Novos desafios
Em agosto de 2006, assume Daniel Pimentel Slaviero. O novo presidente iniciou suas atividades profissionais em radiodifusão nas emissoras que compõe o GPP - Grupo Paulo Pimentel, afiliada ao SBT no Paraná. Foi vice-presidente da Abert e vice-presidente para América Latina da AIR - Associação Internacional Radiodifusão.
SBT e Record retornam à Abert após um esforço conjunto dos presidentes anteriores. Juntas, SBT e Record congregam 205 emissoras geradoras e retransmissoras em todo o Brasil, sendo 107 ligadas ao SBT e 98 à Record. O retorno dessas cabeças de rede à Abert amplia ainda mais a sua representatividade, que hoje possui entre seus associados mais de 2.500 emissoras de rádio e cerca de 300 emissoras de televisão, incluindo Globo, SBT, Bandeirantes, Record, Rede Vida, MTV.


Depois de intensas negociações, a Abert é bem sucedida no processo de desoneração de impostos de equipamentos para a TV Digital. O Conselho Nacional de Política Fazendária - Confaz aprova a concessão de incentivo fiscal estabelecendo a desoneração de ICMS sobre a importação de equipamentos, sem similar nacional, efetuada por empresa de radiodifusão de recepção livre e gratuita (Convênio ICMS 10 de 30/03/07). A Abert assimilou o valor da unidade ao longo de sua história e por meio de suas muitas lutas. Essa atuação ativa permite que a Abert represente hoje pequenos empresários de fora do eixo Rio-São Paulo. Daniel Pimentel Slaviero tem ainda como desafios a luta da entidade na busca do melhor padrão de Rádio Digital para o Brasil (Iboc), o início da operação da TV Digital, e a Convergência Tecnológica .Texto extraído do site oficial da Abert: www.abert.org.br


Presidentes da ABERT
João de Medeiros Calmon 1962-1970
João Jorge Saad 1970-1972
Adalberto de Barros Nunes 1972-1974
José de Almeida Castro 1974-1978
Carlos Cordeiro de Mello 1978-1980
Paulo Machado de Carvalho 1980-1982
Joaquim Mendonça 1982-2000
Paulo Machado de Carvalho Neto 2000-2004
José Inácio Gerari Pizani 2004-2006
Daniel Pimentel Slaviero 2006-2008


FONTE:http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/

Rádio Clube de Pernambuco




História da Rádio Clube de Pernambuco

Quando ainda não existiam transmissões radiofônicas na América do Sul, um grupo de amadores, sob a liderança de Augusto Joaquim Pereira, fundou a Rádio Clube de Pernambuco, no dia 6 de abril de 1919. Vinte dias depois, seus estatutos foram aprovados e publicados pela Imprensa Nacional. Um edital de inauguração foi publicado dias antes no DIARIO DE PERNAMBUCO. "São convidados os amadores de telegrafia Sem Fio (TSF - como era conhecido o rádio) a comparecerem à sede da Escola Superior de Eletricidade (Ponte d´Uchoa) no próximo domingo, 6 do corrente, às 13h, para a fundação da Rádio Clube."

As primeiras instalações funcionaram no Parque Treze de Maio. No início dos anos 20, utilizando discos emprestados, a Rádio Clube transmitia óperas, obras clássicas e recitais, que eram ouvidos através de um rádio receptor, construído artesanalmente e acompanhado por fones de ouvido. Sua programação era voltada às classes média e alta. Em 1922, Oscar Moreira Pinto junta-se à Rádio Clube e, um ano depois, ela passa a operar com recursos próprios, mudando para a avenida Cruz Cabugá.

A instalação de um pequeno equipamento de 10 watts, em fevereiro de 1923, permite que a Rádio Clube seja sintonizada no Centro do Recife e em alguns bairros da cidade. Isso marcou, definitivamente, a antecipação de Pernambuco na história da radiodifusão nacional, pois seu pioneirismo foi bastante contestado com a chegada da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em abril de 1923 por Roquette Pinto.

Até a década de 30, fase de consolidação da rádio, todas as emissoras brasileiras funcionaram sem regulamentação oficial da atividade pelo Governo Federal. Foi criada a Comissão Técnica do Rádio para examinar os assuntos relativos à radiodifusão que se expandia no Brasil. O resultado foi um decreto do Governo Federal, em 1932, que definiu o rádio como "serviço de interesse nacional e de finalidade educativa", autorizando a publicidade radiofônica permitida no espaço de até 10% da programação das estações.

A Rádio Clube entrou também para a história com a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste com narração feita por Abílio de Castro, em 1931. A partir daí, a rádio começou a dedicar um espaço ao jornalismo esportivo, com melhor aparelhagem técnica e maior potência. Com uma equipe especializada, a Rádio Clube manteve, nas décadas de 60 e 70, a liderança absoluta em transmissões esportivas no Nordeste.

Em outubro de 1935, a rádio recebeu permissão oficial para executar a radiodifusão no País. O decreto n° 402, assinado pelo então presidente da República Getúlio Vargas, oficializava as operações da Rádio Clube de Pernambuco.

Depois de um ano, a rádio ganha novas instalações, inaugurando sua estação radiodifusora na Estrada do Arraial e aumentando a potência para 50 kws, passando a cobrir todo o Nordeste. Chegam novos locutores, artistas e jornalistas, ampliando sua rede de programação e tornando-a mais popular. Em 1939, a rádio passa a transmitir ao vivo em Freqüência Modulada (FM).

A partir de 1942, o Nordeste acompanha as notícias da Segunda Guerra Mundial pela Rádio Clube, com o surgimento, no ano anterior, do Repórter Esso, marco expressivo do jornalismo radiofônico. Dez anos depois, em 1952, a Rádio Clube é incorporada aos Diários Associados por iniciativa de Assis Chateaubriand.

Como primeira emissora de rádio no Brasil, a Rádio Clube de Pernambuco exerceu enorme influência social e cultural no Nordeste, sobretudo nas três primeiras décadas de sua existência, entre 1920 e 1950. As décadas de 40 e 50, a produção radiofônica ficou consagrada, principalmente com o surgimento do radioteatro, da radionovela e de programas de auditório, que formaram os ídolos, em que cantores e artistas fascinaram o público, projetando valores artísticos regionais e nacionais.


RÁDIO CLUBE DE PERNAMBUCO
MAIS VELHA QUE O RÁDIO

A Rádio Clube de Pernambuco é três anos mais velha que a primeira transmissão oficial de rádio no País.

Quando ainda não existiam transmissões radiofônicas na América do Sul, um grupo de amadores da TSF (Telegrafia sem Fio, como era conhecido o rádio na época), fundou a Rádio Clube de Pernambuco no dia 6 de abril de 1919. No dia seguinte, a edição da tarde do Jornal de Recife noticiou assim o fato: "Consoante convocação anterior, realizou-se ontem na Escola Superior de Eletricidade, a fundação do Rádio Clube, sob os auspícios de uma plêiade de moços que se dedicam ao estudo da eletricidade e da telegrafia sem fio.
Ninguém desconhece a utilidade e proveito dessa agremiação, a primeira do gênero fundada no País".

Vinte dias depois seus estatutos foram aprovados e publicados pela Imprensa Nacional, comprovando a sua existência como a primeira rádio do Brasil. No entanto, naquela época o rádio não era o que é hoje. As primeiras transmissões da Rádio Clube só eram captadas através de um rádio receptor, construído artesanalmente e acompanhado por fones de ouvido.

Poucas pessoas, a maioria da classe média alta de Recife, tinham acesso às transmissões de óperas, obras clássicas e recitais que dominaram a programação dos primeiros anos. Só a partir de fevereiro de 1923, com a instalação de um pequeno equipamento de 10 watts, foi que a rádio passou a ser captada no centro de Recife.

Por isso, o seu pioneirismo foi bastante contestado com a chegada da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada em abril de 1923.

"O que poucos sabem é que a Rádio Nacional fez um estágio aqui em 1922, para aprender como era", relembra o assessor de marketing da Rádio Clube, Gilson Paiva, confirmando a vocação de laboratório que a rádio teve nos primeiros anos. A Rádio Clube entrou também para a história com a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste em 1931. Através de um decreto assinado em outubro de 1935 pelo então presidente Getúlio Vargas, a rádio recebeu permissão oficial para executar a radiodifusão no País.

A grande profissionalização da rádio aconteceu em 1952, quando foi incorporada aos Diários Associados de Assis Chateaubriand.
"Até 1939 não tínhamos concorrência, era o único sinal no Nordeste", completa Paiva. A Rádio
Clube sempre foi voltada para a informação e jornalismo. Na década de 40 no entanto, quem dominava a programação era o Rádio Teatro, com a participação de artistas consagrados como Paulo Gracindo e Mário Lago.

Hoje, a programação contém música, desportos, notícias e prestação de serviços. A Rádio Clube faz parte do Grupo Associados de Pernambuco, que contém também a Rádio Caetés FM, o jornal Diário de Pernambuco e a TV Guararapes, retransmissora da programação da TV Bandeirantes.

Oficialmente, a origem do rádio está associada às primeiras transmissões da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923.

Uns creditam a origem à mesma emissora carioca, mas em 07 de setembro de 1922, através das transmissões em caráter experimental do discurso do então presidente da República, Epitácio Pessoa.

Mas, em 1919, uma emissora nordestina já havia inaugurado suas transmissões, num feito devidamente documentado e comprovado, embora dê margem a uma polêmica similar a que vemos entre o fundador da aviação, Alberto Santos Dumont (1906), e os supostos pioneiros defendidos pelos EUA, os irmãos Wright (1908).

A primeira rádio do país, segundo informações que lutam para serem reconhecidas oficialmente, é a Rádio Clube de Pernambuco. Ela pode ter sido também a primeira emissora de rádio da América Latina, aparecida um ano antes da entrada da década de 20. Foi fundada em 06 de abril de 1919 por um grupo de amadores curiosos com a nova modalidade de comunicação da época, que era o rádio, lideradas por Augusto Joaquim Pereira.

Vinte dias após o surgimento, os estatutos da Rádio Clube de Pernambuco foram aprovados e em seguida publicados pela Imprensa Nacional. Um edital de inauguração da emissora foi publicado na data do evento no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Diz o documento: "São convidados os amadores de Telegrafia Sem Fio (TSF - como era conhecido o rádio) a comparecerem à sede da Escola Superior de Eletricidade (Ponte d´Uchoa) no próximo domingo, 6 do corrente, às 13h, para a fundação da Rádio Clube."

As primeiras instalações da emissora se situaram no Parque Treze de Maio. No início da década de 20, a Rádio Clube recebia discos emprestados de seus sócios, passando a transmitir óperas, obras clássicas e recitais, que eram ouvidos por meio de um rádio receptor, construído de forma artesanal e que era acompanhado por fones de ouvido. Sua programação era destinada às classes média e alta. No ano de 1922, Oscar Moreira Pinto ingressa à Rádio Clube e, um ano depois, a emissora começa a funcionar com seus próprios recursos, e sua sede mudou-se para a avenida Cruz Cabugá.

Em fevereiro de 1923, é instalado um pequeno equipamento de 10 watts, possibilitando a irradiação das ondas da Rádio Clube no Centro do Recife e em alguns bairros da cidade. A façanha se tornou um marco, que coloca Pernambuco no pioneirismo da radiodifusão do Brasil. Para se ter uma idéia, a origem do rádio é atribuída oficialmente à Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que foi fundada em abril de 1923 por Roquette Pinto.

Até os anos 30, fase em que a Rádio Clube de Pernambuco se consolidava, todas as emissoras brasileiras funcionaram sem regulamentação oficial da atividade de radiodifusão pelo Governo Federal. No início daquela década, foi instituída a Comissão Técnica do Rádio, cujo objetivo foi examinar os assuntos relacionados com radiodifusão que crescia em todo o Brasil. Em conseqüência disso, foi promulgado um decreto do Governo Federal, no ano de 1932, que definiu o rádio como um "serviço de interesse nacional e de finalidade educativa", autorizando a publicidade radiofônica permitida no limite de até 10% da programação transmitida pelas emissoras.

A Rádio Clube foi pioneira também na história do radialismo esportivo. Foi ela que realizou a primeira transmissão ao vivo de futebol no Norte/Nordeste. A narração foi feita pelo locutor Abílio de Castro, em 1931. Desde então, a emissora passou a dedicar um espaço ao jornalismo esportivo, com melhor aparelhagem técnica e maior potência de transmissão. Com uma equipe especializada, a Rádio Clube manteve, nas décadas de 60 e 70, a liderança absoluta nas transmissões esportivas da região Nordeste.

Em outubro de 1935, o Governo Federal oficializa a Rádio Clube de Pernambuco como uma empresa de radiodifusão, conforme decreto número 402 assinado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas. Em 1936, a Rádio Clube inaugura suas novas instalações, tendo sua estação radiodifusora localizada na Estrada do Arraial. Sua potência foi aumentada para 50 kilowatts, passando a ser irradiada por toda a região Nordeste.

Seu quadro de locutores, a partir de então, se renova e amplia, com a contratação de jornalistas, artistas, locutores e produtores, e sua programação passa a ser de caráter popular, com radionovelas e programas de auditório. No ano de 1939, surge a Rádio Clube FM, dezesseis anos antes da Rádio Imprensa, considerada oficialmente como a primeira FM surgida no país.

Em 1942, a Rádio Clube começa a transmitir o Repórter Esso, noticiário surgido em 1941. Com isso, os ouvintes do Nordeste puderam se informar sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

A Rádio Clube até hoje é transmitida, tendo grande audiência na Grande Recife, sendo uma das líderes do rádio AM pernambucano. Durante três décadas, a Rádio Clube contou também com ondas curtas de 49 e 25 metros, a Rádio Clube, anos depois de sua origem, podia ser sintonizada em todo o país e mesmo no outro lado do Oceano Atlântico.

Infelizmente,nos dias de hoje Recife não possui mais uma emissora sequer em OC (ondas curtas), devido às restrições da descontinuidade na recepção e das interferências das tempestades magnéticas. Provavelmente com a evolução da tecnologia digital, seja possível que as transmissões em OC sejam menos suscetíveis das interferências do tempo e da estação do ano.

Desde 1952, a Rádio Clube de Pernambuco pertence aos Diários Associados, empresa fundada por Assis Chateaubriand, conhecido como "Chatô", notável jornalista e empresário da comunicação no Brasil, sendo responsável pela instalação da televisão no país, numa época em que se achava desnecessário instalar uma TV no país (1950). Nos últimos anos os Diários, depois de perderem várias de suas empresas, se transformaram num órgão mantido pela Fundação Assis Chateaubriand. A instituição teve origem na gestão dos funcionários dos Diários, que se tornaram sócios e gestores da companhia quando "Chatô" estava doente, nos anos 60.

Atualmente a Rádio Clube de Pernambuco funciona na Rua do Veiga, número 600, no bairro de Santo Amaro, em Recife.

Os amadores do rádio tornam-se profissionais

Na década de 10, nascia o radioamadorismo, que tomou grande impulso em função da dimensão continental do País. A radiodifusão também surge na mesma década, fruto do pioneirismo de Augusto Joaquim Pereira e Oscar Moreira Pinto. Augusto Pereira funda, com um grupo de amadores, o Rádio Clube de Pernambuco no dia 6 de abril de 1919. A primeira emissora do País e uma das primeiras instituições radiofônicas de todo o mundo.

No dia 2 de novembro de 1920, a Westinghouse Electric Co. faz uma experiência com a transmissão de rádio no País. A experiência seria renovada em 1922, no Rio de Janeiro. Oscar Moreira Pinto, radiotelegrafista da Marinha, junta-se à Rádio Clube de Pernambuco em 1922, sendo encarregado de adquirir um transmissor de 10 W da Westinghouse. Esse transmissor permitiu que o sinal da emissora pudesse ser sintonizado no centro e alguns subúrbios do Recife. O Recife contava, na época, com 250 mil habitantes e era o principal centro econômico, político e cultural do Norte e Nordeste. Pernambuco tinha 2 milhões de habitantes, um dos portos mais movimentados do País e era governado por Manoel Borba.


No Rio de Janeiro, em 1923, foi então fundada a Rádio Roquette Pinto, já num estilo mais profissional. Funcionando na Academia Brasileira de Letras, ela se converteria mais tarde na Rádio Ministério da Educação. Roquette Pinto foi um pioneiro do cinema e da televisão, concebendo-os como instrumento de educação popular. Junto com Henrique Morize, professor da Escola Politécnica, ele deu os primeiros passos na utilização do rádio como veículo educativo. Nas próprias palavras de Roquette Pinto:

"Todos os lares espalhados pelo imenso território do Brasil receberão livremente o conforto moral da ciência e da arte; a paz será realidade definitiva entre as nações. Tudo isso há de ser o milagre das ondas misteriosas que transportam no espaço, silenciosamente, as harmonias."

Entre abril de 1919 e fevereiro de 1923, em Recife, um grupo de radiófilos liderado por Augusto Joaquim Pereira e financiado pelo industrial José Cardoso Aires aprimora gradativamente as transmissões do Rádio Clube de Pernambuco, garantindo que estas alcancem o centro da cidade e algumas regiões próximas. No mesmo ano, em 20 de abril, entusiastas ligados à Academia Brasileira de Ciências e reunidos em torno de Edgard Roquette-Pinto fundam a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que, em 1º de maio, inicia suas irradiações. Nestas duas iniciativas pioneiras, o associativismo é marcado por dose expressiva de idealismo elitista misturado com curiosidade e deslumbramento técnico, noções que se dirigem a uma espécie de utopia de civilização. Para os integrantes destas agremiações, de um lado, cultura significa erudição sob a matriz referencial externa da época: a Europa ou, mais especificamente, a França; de outro, tecnologia é progresso relacionado, portanto, com modernização. Tal constatação vai ao encontro do que Renato Ortiz, em raciocínio semelhante, identifica em relação à urbanização do Rio de Janeiro e à introdução do cinema, quase no mesmo período, no início do século 20:"(...) a idéia de moderno se associa a valores como progresso e civilização; ela é, sobretudo, uma representação que articula o subdesenvolvimento da situação brasileira a uma vontade de reconhecimento que as classes dominantes ressentem. Daí o fato de essa atitude estar intimamente relacionada a uma preocupação de fundo, `o que diriam os estrangeiros de nós', o que reflete não somente uma dependência aos valores europeus, mas revela o esforço de se esculpir um retrato do Brasil condizente com o imaginário civilizado" (Ortiz, 1994: 32). Cabe lembrar que, desde o início do século 20, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre vivem um afã modificador do cenário urbano que auxilia na estruturação de um imaginário social da modernidade. Primeiro, aumentam os impostos sobre as moradias da região central, afastando a população mais carente para a periferia, e, na seqüência, são construídos grandes prédios públicos ou espaçosas avenidas. Vale recordar, ainda, como a coroar este processo, o slogan de Washington Luiz Pereira de Sousa: "Governar é abrir estradas". Coincidentemente, é ele o presidente derrubado pela Revolução de 1930, que eclode como a expor as divergências intraoligárquicas e, em plano menor, as incoerências do progresso de fachada dos anos anteriores.

Neste contexto, tem importância significativa a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, inaugurada em 7 de setembro de 1922 em comemoração ao centenário da independência brasileira.

Embora no discurso oficial do governo de Epitácio Pessoa houvesse a intenção manifesta de apresentar uma pretensa pujança econômica nacional atraindo libras esterlinas e dólares, eventos deste tipo e porte serviam, desde o século anterior, na realidade, para demonstrar a tecnologia de ponta, contrastando o mundo industria l moderno ­ das grandes potências ­ com um outro, mais agropecuário e mercantil ­ no caso específico, o do Brasil. Assim, o capital dava mostras daquela sua característica inata identificada por Karl Marx em Para a crítica da economia política , de 1859:

"Quanto mais desenvolvido o capital, quanto mais extenso é portanto o mercado em que circula, mercado que constitui a trajetória espacial de sua circulação, tanto mais tende simultaneamente a estender o mercado e a uma maior anulação do espaço através do tempo" (

Pois, na referida exposição, aquela "necessidade de um mercado em constante expansão para os seus produtos", que persegue o capitalismo por todo o globo, fazendo com que "tenha de se fixar em toda a parte, estabelecer-se em toda a parte, criar ligações em toda a parte" (Marx e Engels, 1987: 37), está presente nos estandes de duas indústrias dos Estados Unidos: a Westinghouse International Company e a Western Electric Company, ambas com capacidade ociosa de produção desde o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e procurando, por meio das demonstrações radiotelefônicas então realizadas, a obtenção de um novo mercado, o brasileiro.

Estas transmissões, como se sabe, chamam a atenção de Roquette-Pinto e influenciam o surgimento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Também junto a uma delas, a Westinghouse, os entusiastas do Rádio Clube de Pernambuco adquirem um transmissor de 10 W responsável pela melhoria do sinal da estação a partir de fevereiro do ano seguinte.

É, deste modo, dentro de um quadro de subordinação cultural e tecnológica que vai surgindo o rádio no Brasil, um país que, em contraste, na virada do século 19 para o 20, abrigava experiências pioneiras de radiotelefonia e radiotelegrafia levadas a cabo por Roberto Landell de Moura, mas praticamente ignoradas pelas autoridades de então, embora, por vezes, presenciadas por representantes de governos estrangeiros como o da Grã-Bretanha, principal potência daquela época.

No início dos anos 20, os amadores da radiotelefonia, sem-filistas ou radiófilos ­ como a imprensa os chamava ­ gastam suas noites em frente aos grandes, pesados e caros aparelhos receptores da época. Um dos bons com três ou quatro válvulas, custando 400 mil-réis, o dobro do que ganha, então, em média, um assalariado, consegue sintonizar emissões de particulares e comunicações navais, não importando se telefônicas ou telegráficas. O objetivo maior, no entanto, é ouvir irradiações de estações como KDKA, de Pittsburgh, ligada à Westinghouse, e WEAF, de Nova Iorque, da American Telegraph and Telephone, mais facilmente captadas nas regiões Norte e Nordeste, ou LOR ­ Asociación Argentina de Broadcasting, LOW ­ Grand Splendid Theatre, LOS ­Broadcasting Municipalidad e LOO ­ Radio Prietto, de Buenos Aires, e El Día, de Montevidéu, no Sul e Sudeste.

Na década seguinte, irradiações como estas servem ainda de referencial. Ouvindo a NBC, dos Estados Unidos, e a britânica BBC, em ondas curtas, Adhemar Casé observa uma diferença significativa em relação ao rádio brasileiro da época:

"O amadorismo das rádios daqui não permitia uma dinâmica maior. Quando um músico e um cantor iam se apresentar, o speaker anunciava o número e, depois, desligava o microfone, para que pudessem afinar os instrumentos e até fazer um rápido ensaio. Enquanto isso, o ouvinte ficava totalmente abandonado. Já nos programas americanos, o som não parava. Era uma dinâmica maravilhosa"

Considera-se que o Rádio brasileiro nasceu, no entanto, em 20 de abril de 1923 graças ao pioneirismo e visão de Edgard Roquette Pinto, renomado escritor e antropólogo, e Henrique Moritze, Diretor do Observatório do Rio de Janeiro, conquanto os pernambucanos reivindiquem essa primazia, pois no Recife, desde 6 de abril de 1919, funcionava a Rádio Clube de Pernambuco, que atuava no ramo da radiotelegrafia.

A Roquette Pinto e Moritze, que fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (PRA-A), juntaram-se Elba Dias, que criou a Rádio Clube Brasil (PRA-B), e os pernambucanos Moreira Pinto, Augusto Joaquim Pereira, João Cardoso Alves, entre outros.
FONTE : http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/

A TV Tupi não foi pioneira na América Latina


Por preguiça ou por vaidade há anos repetimos que a televisão brasileira foi pioneira na América Latina; a TV Tupi inaugurada em 18 de setembro de 1950 teria sido a primeira emissora do continente inaugurada fora dos Estados Unidos. De tanto repetir essa cantilena acabamos acreditando nela, sem levar em consideração o ponto de vista dos cubanos e mexicanos que também reivindicam essa primazia. De fato Brasil, Cuba e México colocaram no ar imagens de televisão e exibiram uma grade de programação regular, no segundo semestre do ano acima referido: Entre setembro e outubro os três paises inauguraram oficial e oficiosamente a TV, mas a rigor foi o México quem liderou esse processo, primazia afiançada não apenas pela cronologia, mas também pelos antecedentes no desenvolvimento do veículo.

Em 1946 o mexicano Emilio Azcarraga Vidarrueta reunia empresários do continente para criar a “Televisión Asociada”, entidade de classe cujo objetivo era exercer pressão sobre os governos a fim de se obter as condições de infra-estrutura adequadas para a implantação da TV nos respectivos países. Não há evidências de que o Brasil tenha participado desse grupo que reunia ainda o mexicano Clemente Martinez (vice-presidente), o cubano Goar Mestre (secretário) e o uruguaio Rául Fontaine (tesoureiro). O grupo fez muito barulho, alertou outros empresários de comunicação que se sentiram preteridos e nenhum dos figurões aqui citados (todos anunciaram que seriam pioneiros nos seus respectivos países) conseguiu a primazia desejada. Vidarrueta perdeu a corrida no México para Rômulo O’ Farrill e em Cuba um atônito Goar Mestre viu seu adversário Gaspar Pumarejo sair na frente.

Em todo caso enquanto a “Televisão Asociada” fazia barulho e lobby, Assis Chateaubriand, no Brasil, não estava totalmente alheio, mas, digamos, hibernava o projeto de instalar duas emissoras no país, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro, conforme manifestara a David Sarnoff e Wladimir Zworykin, diretores da RCA, no histórico encontro realizado em Nova Iorque em 1944. Segundo relatam Fernando Moraes e Almeida Castro, cada um com uma versão diferente, os empresários não deram muita bola à pretensão do brasileiro, até porque a televisão nos Estados Unidos, naquele momento, ainda era um projeto experimental que aguardava o fim da guerra para se tornar realidade. Alias, projeto experimental no mundo inteiro.

O fato é que no México o veículo vinha se desenvolvendo através de experiências pontuais, enquanto em Cuba e no Brasil isso não ocorria. No México as experiências com TV iniciaram-se em 1933 com equipamentos construídos pelo engenheiro Guilherme Gonzáles Camarema, dispondo de estúdios da Xefo cedidos pelo Partido Nacional Revolucionário. Dois anos depois o próprio PNR realiza em circuito fechado, transmissão exibindo o General Làzaro Cardenas, com equipamentos importados dos Estados Unidos. Em 1939 novas experiências públicas de Camarema, desta vez com uma câmera de TV que reproduzia as imagens a cores. Empolgado com os resultados, no ano seguinte, o engenheiro patenteava o “Tricomático”, sistema mecânico baseado nas cores verde, vermelho e azul e em 1942 realizava transmissões à longa distância. Durante toda a década de 40 sucederam-se no México outras iniciativas e consta que pelo menos sete empresários (Ocon, Escobar, Reachi. Coy, Camarena, Farrill e Vidarrueta) tenham reivindicado favores do Governo para implantar a televisão.

Já em Cuba o único registro de experiências anteriores ao lançamento da TV data de 1946 quando a atriz Maria de Los Angeles Santana e seu esposo o ator Julio Veiga, patrocinadores e protagonistas ao mesmo tempo, distraíram os Habaneros uma semana com imagens, em circuito fechado, geradas por equipamentos alugados em Nova Iorque. No Brasil até a inauguração da TV Tupi e a exibição em circuito fechado do show de Frei Mojica que antecedeu ao evento, há registros de apenas duas exibições, sem maiores repercussões na imprensa e na sociedade. A primeira realizada pela Telefunken alemã na Feira Internacional do Rio de Janeiro em 1936 e a segunda, descrita por Renato Murce, na Rádio Nacional, em inícios de 1950, promovida por um fabricante francês, sem sucesso. Enciumado com a pirotecnia da Radio Nacional Chateaubriand teria intimado o Presidente Juscelino, segundo conta Mario Lago, a suspender qualquer outra iniciativa estatal nesse sentido.

Concluindo, o fato é que somente em setembro de 1950 os três países objeto deste artigo encontravam-se com equipamentos instalados, equipe contratada, testes realizados, importação de receptores, tramites de alfândega acelerados e uma grade de programação regular que incluía tele-teatro, jornalismo, humor, programas infantis e filmes. Mas nessa corrida o México, mais estruturado e com uma cultura empresarial de radiodifusão e antecedentes da TV, mais bem equacionados, levou a melhor. México iniciava as suas transmissões regulares em 1º de setembro, o Brasil em 18 de setembro e Cuba em 24 de outubro. O Brasil se constituía efetivamente no primeiro país da América do Sul (e não da América Latina) e o quinto do mundo (e não o quarto) a inaugurar a TV. Fatos que se chocam com as versões e mexem com o nosso orgulho. Fazer o que? FONTE : http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog/?m=200803

Diário Carioca: Um conservador de vanguarda




Diário Carioca: Um conservador de vanguarda

Fundado em 17 de julho de 1928 por José Eduardo de Macedo Soares, o Diário Carioca foi um dos mais influentes jornais do País e o responsável pela modernização técnica da imprensa brasileira.

Introduziu o lead nas matérias, criou o copidesque e lançou o primeiro manual de redação jornalística. Com o surgimento de Brasília, foi o primeiro jornal diário a circular no Distrito Federal.

Verdadeira usina de talentos, abrigou grande parte de nossos melhores jornalistas, até fechar, em dezembro de 1965. O jornal ficava na Av. Rio Branco nº 25, próximo à Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. A redação ocupava uma sobreloja, e a oficina, o térreo e o subsolo.

Novo estilo

A reforma do estilo da imprensa brasileira começou na década de 1950 no Diário Carioca, de forte tradição política e orientação conservadora. Lá, dois professores do curso pioneiro de jornalismo que funcionava na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil - Danton Jobim, o catedrático, e Pompeu de Souza, seu assistente - arregimentaram um grupo de jovens, vindos quase todos de diferentes cursos universitários, para introduzir no Brasil as técnicas de redação originalmente desenvolvidas nos Estados Unidos e que já se haviam generalizado nos países desenvolvidos.

Do Diário Carioca a nova maneira de redigir migrou - na verdade, foram os redatores que migraram - , para o Jornal do Brasil, veículo tradicional (fundado em 1891, com orientação monarquista) que se decidiu a fazer uma reforma editorial. Lá, no final da década de 50 e nos primeiros anos da década de 60, o estilo de texto se fixou, associando-se a uma nova estética gráfica, de matriz construtivista.

O Diário Carioca foi um jornal tecnicamente revolucionário, que terminou com o lero-lero das reportagens intermináveis em que a estrela era o repórter, e não o assunto. (Paulo Francis)


Só no início da década de 70 os outros grandes jornais do Rio de Janeiro (como O Globo) e de São Paulo (O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo) - logo seguidos pela imprensa de todo o País - adotariam algumas das normas de redação lançadas pelo Diário Carioca e fixadas no Jornal do Brasil.

Em São Paulo, a mudança dos métodos e critérios do jornalismo havia começado, no final da década de 60, com uma revista mensal ambiciosa e muito bem editada, Realidade. Para a mudança nos jornais, foram feitas algumas experiências, a começar pelo vespertino de O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, que dava às matérias noticiosas estilo inspirado no dos magazines.

A incorporação do novo modo de escrever ao noticiário tradicional fez-se aos poucos, com a preocupação de copiar rigorosamente modelos americanos, de modo que algumas das criações mais originais do Diário Carioca não chegaram ou demoraram a chegar à imprensa paulista.

O que mudou

Foram características da reforma do Diário Carioca:

- a adaptação do lead - primeiro parágrafo da matéria impressa, onde consta o fato principal ou mais importante de uma série, tomado por seu aspecto principal - à língua portuguesa evitando, por exemplo, o estilo uma proposição por período, que é ainda hoje norma imposta na Folha de São Paulo, e dá aos textos aspecto telegráfico, de leitura cansativa. Para isso, foram consultados outros modelos de adaptação, principalmente dos jornais ingleses e franceses;

- a incorporação progressiva de usos propostos, na literatura, pelos modernistas de 1922, para aproximar a escrita da fala corrente brasileira. Nessa linha, as pessoas deixaram de morar à Rua X para morar na Rua X. Os tratamentos tornaram-se menos cerimoniosos; passou-se, aos poucos, a escrever o nome das pessoas sem a precedência de um título - senhor, senhora, doutor, excelência, dona e, para os desqualificados, indivíduo. Os redatores do Diário eram leitores constantes de autores modernos, particularmente de Graciliano Ramos, cujo estilo enxuto tomava-se como modelo.

Manual de Redação

É interessante comparar os style books - manuais de redação - do Diário e dos jornais atuais. O manual escrito em 1950 por Pompeu de Souza, é um documento sintético, até porque produzido por quem iria gerir sua aplicação. Contém algumas concessões ao espírito da época: não se admitia chamar uma mulher casada, pelo menos as da classe dominante, pelo nome; era necessário precedê-lo de d. Da mesma forma, o pronome para o Papa não era ele, mas Sua Santidade, e temia-se que fosse impossível suprimir inteiramente o Exa do nome de alguns personagens. Esses preceitos tiveram que ser modificados ao longo do tempo, à medida que a evolução dos costumes ia permitindo as mudanças.

O Pasquim foi uma grande revolução de linguagem, continuou a obra do Diário Carioca. Um jornal inteiro escrito de maneira coloquial... (Paulo Francis)

Dentre os manuais lançados por empresas que editam atualmente jornais diários, o mais interessante e útil é o Manual de Redação e Estilo de O Globo, editado por Luiz Garcia. É também o que mais se aproxima do espírito do style book do Diário Carioca.

Os manuais de redação atuais costumam ser detalhistas, abrangentes e presunçosos. Misturam orientações técnicas com discursos sobre o que o dono do jornal pensa do mundo - e nisto se parecem com o manual da Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda que, na década de 50, imitando o Diário Carioca, lançou também sua versão - acrescentando critérios editoriais genéricos, manifestações de princípios e argumentos de marketing institucional.


O DC-Brasília

O Diário Carioca (DC-Brasília) foi o primeiro jornal diário a circular na capital federal, a partir do dia 12 de setembro de 1959, sob a direção do jornalista Elias de Oliveira Júnior.

Inicialmente sua sede ficava em um barracão de madeira (foto) na 2ª Avenida da "Cidade Livre" e mais tarde numa sobreloja da quadra 508 da Avenida W-3 Sul, onde funcionava a redação.

Os textos eram mandados para as oficinas do Diário Carioca no Rio de Janeiro, por telex, telefone e pelo último avião, quando também eram enviadas as fotografias. A edição era impressa durante a madrugada e o jornal seguia para Brasília no primeiro vôo da manhã. FONTE :http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O homem que revolucionou o Rádio




15 de junho de 2009 — Julinho Mazzei transforma tudo o que faz em sucesso !

Julinho Mazzei 1989

Banana Jovem Pan Record





25 de junho de 2009 — O primeiro locutor Brasileiro a bater a marca de 99 horas ininterruptas de operaçao em estudio e locução. Permaneceu 99 horas e 43 minutos no ar. Guinness o livro dos recors 1994.

Transamérica música da Copa de 94

Transamerica FM - Goulard de Andrade - Parte 1

Transamerica FM - Goulard de Andrade - Parte 2

Transamerica FM - Goulard de Andrade - Parte 3

Rede Record - Todas as principais vinhetas da história (1980-2008) [Com Áudio Original]

Histórico de vinhetas da Rede Bandeirantes

Nascimento do SBT no dia 19 de Agosto de 1981.

Globo - 1965 Início da Emissora

Inauguração da Tv Bandeirantes (1967)

Um clássico mundial da propaganda ao ar livre






Em 1982 a agência FCO Univas veiculava nas estradas de Inglaterra em placas da More O’ Ferrall uma inusitada campanha de outdoor, destacando o aplique de um carro Ford Cortina, aliviado do motor e outros itens de peso, com o objetivo de induzir os motoristas à idéia de um automóvel colado com Araldite, produto da Ciba Geigy que assinava o cartaz. A mensagem Também serve para colar porcelana, ilustrada pelo veículo em aplique, fortalecia os argumentos de vendas da resina que cola tudo, até o inusitado. A imprensa britânica logo repercutiu a peça de modo que o cliente sentiu-se estimulado a veicular novos cartazes com o tema, configurando de fato uma campanha, hoje mais de 25 anos transcorridos, tida como uma das mais criativas da propaganda mundial para a mídia exterior. O aplique requereu um suporte metálico de ferro, instalado por trás da tabuleta, não perceptível para os motoristas.

No ano seguinte a FCO Univas retomou o aplique, porém explorando outro tema. Desta vez com a mensagem The Suspense Continues, para caracterizar o sentido dúbio da palavra que poderia ser interpretada como suspense ou suspenso (pendurado). A imprensa voltou a falar da campanha até ser surpeendida com um novo cartaz de aplique mais inusitado ainda: Desta vez dois carros, um por cima do outro e a mensagem The Tension Mounts, ou seja, A tensão aumenta. No mês seguinte os dois carros desapareceram deixando um buraco na tabuleta e a instigante mensagem: “Como conseguimos descolá-los? “, tradução de How Did we Pull it off ? Quatro motivos ao todo que renderam farta mídia espontânea à agência e ao anunciante. No Brasil também tivemos a versão do aplique de um carro na tabuleta, porém num outro contexto de campanha, mas com impacto semelhante: O outdoor duplo do Subaru criado pela DPZ, Grand-Prix do Prêmio Central de Outdoor em 1998.
FONTE :http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/

A revista dos esportes olímpicos






Em meados de 1932 o Itaquece, navio de cabotagem da marinha mercante brasileira, zarpou do Porto de Santos rumo a Los Angeles. Levava 55 mil sacas de café sem comprador certo e 67 atletas brasileiros que deveriam representar o país nas olimpíadas. Antes assumiram o compromisso com o Comitê Olímpico Brasileiro de vender a mercadoria nos porões, porto a porto; esse era o preço do patrocínio estatal a ser pago por cada um dos esportistas, nessa condição transformados em promotores de vendas. Faziam parte da comitiva dirigentes e jornalistas, entre os quais Fernando de Castro Rebello e Victorio Emmanuel Pareto. Já em solo americano, assistindo as performances da nadadora Maria Lenk e do saltador de vara Lucio de Almeida Castro, os dois cogitaram criar uma revista especializada em esportes olímpicos.

No final do referido ano “Olympia”, que esse era o nome da publicação, revista semanal com 32 páginas, Capa em policromia, chegava às bancas, logo esgotando a sua primeira edição, resultado da chuva de papel picado (mini-panfletos) promovendo o seu lançamento pelas principais ruas do Rio de Janeiro. Expediente este antes utilizado por Assis Chateaubriand para o lançamento de O Cruzeiro e por isso mesmo uma ação promocional já testada e de impacto garantido. O logotipo da publicação incorporara a imagem do lançador de disco, o “discóbolo” de Miron, escultor que viveu no século V antes de Cristo. O editorialista definia o seu estilo: “Não abusaremos de louvores intermináveis, recheados de adjetivos bombásticos para com os medalhões”.

Tarzan era o destaque

Olympia preencheu uma lacuna no mercado editorial que se ressentia da falta de um veículo segmentado na temática esportiva, desde o desaparecimento de Sport Ilustrado (1921), Sports (1923) e Mundo Desportivo (1926). E mesmo sendo editada quatro meses após o fim dos jogos olímpicos, este seria o tema predominante nas primeiras edições com muitas fotos dos atletas, provavelmente recortadas de publicações estrangeiras; o corte na mão grande da tesoura evidencia-se em quase todas as páginas. Mas este era um recurso válido na época e no caso específico a única maneira de retratar o evento, já que a cobertura sequer fora prevista, pois no tempo de realização das olimpíadas não existia.A imagem de Johnny Weissmuller o nadador olímpico que o cinema transformaria em Tarzan era o destaque recorrente nas primeiras edições da publicação que também mostrava o projeto de um estádio para o Palestra Itália e as performances de nossos melhores atletas olímpicos, os resultados do turfe semanal e rankings de melhores tenistas elaborados pelo “corpo redactorial” da revista, assim denominado no expediente, composto por dez jornalistas.

A sede era no Rio de Janeiro (Rua 13 de Maio), mas tinha sucursais em São Paulo (Edf Martinelli) e Porto Alegre (Rua Lima e Silva).Se o nome e objetivo da publicação remetia ao amadorismo, a campanha pela profissionalização do futebol, um paradoxo, seria a sua maior bandeira. Olympia mobilizou a opinião pública e participou na linha de frente na luta para que os jogadores de futebol recebessem uma remuneração. Considerava o amadorismo coma sua áurea de espírito olímpico uma hipocrisia e uma forma de exploração dos atletas, enquanto os clubes enriqueciam. Campanha vitoriosa que lhe rendeu desafetos, mas também grande prestígio. Não tenho a menor idéia de quanto tempo a revista circulou. Não há qualquer registro de sua existência nos catálogos de revistas publicados, livros sobre história da imprensa ou das revistas, ou na Internet, o que é lamentável, considerando a sua qualidade. Sei de sua existência por que possuo a coleção de 1932-1933.

Artigo de minha autoria inicialmente publicado no Portal Imprensa em 11/08/2008
FONTE :http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/blog/?m=200808

A PRIMEIRA EXTERNA DE TV NO MUNDO


A PRIMEIRA EXTERNA DE TV NO MUNDO


A foto que ilustra este post é uma raridade. É o carro de externas da televisão alemã, o primeiro veículo do gênero no mundo com o qual teria sido realizada a célebre transmissão em circuito fechado das olimpíadas de Berlim em 1936. A foto foi publicada no Brasil com exclusividade pelo semanário Pan (16/01/1936), ilustrando matéria de A. Castellani, originalmente veiculada no magazine “Sapere” de Milão. A legenda nos informa que se trata de “auto-portatil para a transmissão televisiva por ocasião da abertura da exposição de rádio de Berlim”. Veículos semelhantes a este só estariam disponíveis no mercado mundial de televisão na década de 50.
Naquele tempo a televisão ainda era um projeto experimental. Tecnologia que estava sendo desenvolvida simultaneamente por Jenkins, Westinhouse e RCA nos Estados Unidos, BBC na Inglaterra, Fernseh na Alemanha e SAFAR e EIAR na Itália. Transmissões em circuito fechado já ocorriam desde que o tubo de raios catódicos de Braun viabilizara a imagem sem chuviscos, porém o desenvolvimento de um veículo para imagens externas, de olho nos Jogos Olímpicos, ao que se sabe, essa foi primazia dos alemães. A imagem nos revela um caminhão com escada para acesso dos operadores, cercado para proteção e reparem, atrás da câmera, uma antena elevada para o link. Um cabo conecta o equipamento a um ponto de distribuição de energia em terra.
O problema como se vê não estava na geração de imagens, que naquele momento já atingira um estágio tecnológico muito próximo do constatado nos primórdios da TV nos Estados Unidos e Inglaterra logo após o fim da guerra, ou seja, uma década mais tarde. O problema estava no receptor. Em 1936 a TV ainda continuava sendo pensada como uma extensão do rádio. Castellani, o especialista italiano aqui referido imaginava “um rádio-receptor especial de onda ultra-curta para captar as ondas que transmitem as imagens e, portanto, assim poder acionar o televisor”.
Didaticamente explicava como seria o veículo: “Poder-se-á assistir na própria casa a qualquer acontecimento esportivo, artístico, etc que tenha lugar na própria cidade ou algures… O escopo da televisão é difundir circularmente por meio do rádio, imagens vivas próprias de uma cena teatral (radiovisão), ou de um filme (radiofilme) … da mesma forma como hoje se difundem radiofonicamente uma comedia ou acontecimento esportivo”. O rádio com imagem ainda era um projeto e não animava nenhuma empresa para sua fabricação em série. O advento da guerra agravava o quadro: as empresas do setor doravante convocadas e direcionadas para a manutenção da infra-estrutura bélica.

(Autoria: Nelson Varón Cadena)

Fonte: Nelson Cadena http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/